Artista Motta | Projeto: Coleção 2020-2026

Audiodescrição Assinada: A Voz do Artista como Ponte de Acessibilidade

O Desafio: Além da Forma, a Mensagem

As obras de Motta não são apenas visuais; são críticas sociais agudas, repletas de ironia, simbolismo e provocação. O desafio deste projeto transcendia a descrição técnica de formas, cores e posições. Precisávamos traduzir a “mensagem” e a tensão que cada obra carrega. Como descrever a sutileza de uma crítica política ou a complexidade visual de uma instalação artística para quem não enxerga, mantendo a integridade da intenção do artista e permitindo que o público construa sua própria interpretação?

A Solução Equalizar: Audiodescrição Assinada

A Linguagem

Fugimos da descrição clínica e fria de museus tradicionais. Adotamos uma narrativa que respeita o tom da obra – ora provocativa, ora reflexiva – mantendo a neutralidade técnica necessária para a audiodescrição, mas incorporando a personalidade da exposição.

A Voz

Ninguém conhece a obra melhor que o criador. A Equalizar dirigiu o próprio artista, Motta, para narrar os roteiros. Isso transformou um recurso de acessibilidade em uma extensão artística. A voz do artista guiando o público cego criou uma intimidade rara e poderosa.

A Técnica: Como Construímos a Imagem Mental

Imersão Curatorial

Estudo profundo das 22 obras, do contexto histórico e da intenção do artista antes de escrever a primeira linha de roteiro.

Lógica de Olhar (Hierarquia Visual)

Estruturamos a descrição para imitar o movimento natural dos olhos:
Macro: O que é a obra? (Uma pintura, uma escultura, uma instalação?)
Varredura Espacial: Onde estão os elementos? (Organização espacial para situar o ouvinte).
Micro: Detalhes texturais, cores específicas e elementos simbólicos.

Direção Especializada

Consultoria técnica para garantir que o roteiro seguisse as diretrizes de acessibilidade sem engessar a narrativa artística.

O Desafio: Além da Forma, a Mensagem

“O resultado foi uma experiência onde a acessibilidade deixou de ser um ‘apêndice obrigatório’ para se tornar parte integrante da obra. O objetivo é fazer com que pessoas com deficiência visual não apenas ‘entendam’ as obras, mas ‘sintam a exposição. Rompemos a barreira do cumprimento de cotas para entregar uma conexão humana real entre artista e público.”